‘Família do pastor acredita que Flordelis foi mandante do crime’, diz advogado

A mãe e a irmã do pastor Anderson do Carmo, assassinado a tiros em junho deste ano, entraram com um pedido na 3ª Vara Criminal de Niterói pedindo para virarem assistentes de acusação no processo no qual dois filhos da deputada federal Flordelis dos Santos são réus pelo crime. A solicitação foi feita no último dia 19, mas ainda não houve decisão judicial. O Ministério Público estadual deu um parecer na última segunda-feira afirmando que não se opõe à solicitação.

O advogado de Maria Edna do Carmo, mãe do pastor, e Michele do Carmo, irmã, afirma que a família acredita no envolvimento de Flordelis no crime e quer colaborar com o processo. De acordo com Angelo Máximo, os familiares de também pretendem se habilitar como assistentes de acusação após a finalização do segundo inquérito do caso, no qual a deputada federal está sendo investigada.

– A família não teve oportunidade de colaborar com a investigação da Polícia Civil, então quer colaborar com a instrução criminal (do processo). Aguardamos também a conclusão desse segundo inquérito para novamente pedirmos para atuar como assistentes de acusação. A família acredita que Flordelis foi mandante do crime, conforme depoimentos prestados pelos próprios filhos dela, e que será indiciada – afirma o advogado.

Ao menos quatro filhos de Flordelis prestaram depoimentos nos quais afirmaram acreditar na participação da deputada federal no crime. Um deles, Wagner Andrade Pimenta, conhecido como Misael, disse que a mãe foi a “mentora intelectual” do assassinato. Há ainda relatos dos filhos acusando Flordelis de tentar envenenar Anderson. Em seu depoimento à polícia, a mãe do pastor, Maria Edna, também disse que Flordelis está envolvida no crime.

O assistente de acusação atua, por meio de seu advogado, auxiliando o MP no processo criminal. Entre as ações possíveis está o pedido de proução de provas, solicitar realização de perícia e elaborar perguntas para serem feitas às testemunhas.

Dois filhos de Flordelis – Flávio dos Santos Rodrigues e Lucas Cezar dos Santos de Souza – são acusados da morte de Anderson. Em seu depoimento, Edna afirmou que acredita não só na participação de Flordelis, mas também de Flávio, Simone (filha da deputada) e de Lorraine (filha de Simone) na morte de Anderson. De acordo com o relato, um dos filhos de Flordelis contou a Edna que a pastora determinava que remédios fossem colocados na comida de Anderson e havia reuniões na casa da família para sondar como o pastor poderia ser morto, já que o medicamento não estava fazendo o efeito esperado.

Na entrevista concedida por Flordelis à imprensa no dia 25 de junho, a deputada federal foi questionada sobre o fato de Maria Edna ter contratado um advogado para acompanhar as investigações da morte de Anderson, o que ocorreu poucos dias após o crime. Na ocasião, ela alegou desconhecer o fato e afirmou que mantinha um bom relacionamento com a sogra.

– Eu e minha sogra temos uma afinidade muito grande. Não acredito que minha sofra tomaria essa atitude sem falar nada comigo – afirmou.

Em entrevista ao EXTRA no dia 21 de julho, Maria Edna afirmou que não foi procurada por Flordelis após o crime.

– Estou magoada e muito chateada. Ajudei demais essa mulher (Flordelis) quando ainda vivíamos no Jacarezinho. Agora, ela não me ofereceu ajuda nenhuma. Não se preocupou comigo. Acabaram com a minha vida, tiraram meu filho de mim. Foi um baque muito forte. Meu coração está partido. Quero Justiça – afirmou ela à época.

Sobre o caso, a assessoria da deputada Flordelis enviou a seguinte nota: “A deputada está cansada desse comportamento oportunista de gente que usa a dor dela para se autopromover. Ao final, quando restar provada a inocência dela, essas pessoas serão chamadas a responder pelas opiniões e acusações”.

O pastor Anderson do Carmo foi morto a tiros na madrugada do dia 16 de junho, dentro da casa da família, em Pendotiba, Niterói. Dois meses após o crime, a DH de Niterói concluiu a primeira fase das investigações e indiciou dois filhos de Flordelis – Flávio dos Santos e Lucas Cézar dos Santos – pelo crime. A delegacia abriu outra investigação para continuar apurando o envolvimento de outras pessoas no crime, entre elas Flordelis.

05/09/2019